sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Percepções de Ana Maria.

Que engraçada é a vida, Ana Maria pensa. As pessoas, os animais, as cores, o tempo, as estações, ete-ce-te-ra e tal. Mas de todas as coisas hilárias da vida o mais engraçado era mesmo as pessoas. Essas sim a fazem rir, loucos varridos que não varrem nada [só a D. Lurdes que luta contra as folhas da calçada de casa, que ela empurra com a vassoura para longe e o vento traz outra vez para perto].

Ana Maria está sentada no banco da pracinha perto de casa, ao seu lado um Senhor de chapéu engraçado ler o jornal do dia e reclama sozinho sobre um tal de aumento da inflação [quê isso? é coisa boa ou coisa ruim?]. Ana Maria quer entender tudo tudinho, mas logo desiste por que deve ser coisa de gente grande — como disse a mãe certo dia quando ela pôs-se a perguntar como foi que irmãozinho havia nascido se ela nem viu a cegonha chegar… [Que pergunta é essa, menina? Vai já estudar que isso só é assunto de gente grande!]

Pelas praças as pessoas passavam e passeavam, umas iam para lá e outras para cá. Mulheres, crianças, homens e velhinhos. Amigos, namorados, gente casada há mais de anos, gente que nunca ia casar, gente gente gente. Apressadas ou lentas, estressadas ou contentes. Umas iam sozinhas, outras acompanhadas… Alguns seguiam em silêncio, outros faziam barulho. Ah, os sons! Outra coisa maluca e engraçada que nem a vida [e as pessoas!]. Som dos carros, som dos pássaros, som das pessoas que falam e falam sem parar… Ana Maria só observa, só escuta…

… toda essa gente…

[o capítulo da novela… ele não vale nada… eu não gostei do novo cabelo dela… você sabia que… mas eu não tinha dito nada… tudo bem?… então ela me pediu um tempo… é muito caro… eu não gosto… meu chefe… eu fui… o dólar… eu… como assim?… quanto tempo!… que idiota… aquele ator… a vida… o amor…]

Vozes e gestos,
Palavras e expressões
Cochichos e gritos
Jeitos e formas
Gente, gente, gente!

Ana Maria sorri, a vida é mesmo engraçada! As pessoas são mesmo malucas… Dizem serem independentes, os adultos principalmente, mas o que seriam e o que fariam se não fossem as outras pessoas? Ela nunca havia visto um cachorro construindo uma casa, nunca viu um macaco dirigindo um ônibus, nunca viu um cavalo vendendo pasteizinhos de queijo na lanchonete da esquina [que eram uma delícia, só para ressaltar], nunca viu animal nenhum fazendo coisas que gente faz.

Gente como a gente, que vive dizendo que gente não serve para nada.

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