domingo, 11 de dezembro de 2011

Moça dos cabelos vermelhos e dos olhos calados.

Não fora justo, cabelos vermelhos… Não fora nada justo o que você fez, eu lhe digo. Olhou-me rápido e se foi mais rápido, mas no pequeno olhar me destroçou em mil e um pedaços pelo nada dizer. Dizia-me algo, o que lhe custava? Para quê aquele olhar vazio e opaco? Que não olhasse então, que não olhasse. Que se fosse sem me ver e deixar-me ver esse teu silêncio que violenta com socos e chutes minh’alma teimosa, ambicionando-te sem freios e consciência, sem amor próprio até. Que não me olhasse, cabelos vermelhos, que passasse como um tufão que leva tudo às cegas, como um maluco, como um desgovernado. Ou que dissesse algo, algo pequeno, algo com uma palavra só, simplesmente algo. Algo que me enraivasse ou me deixasse contentíssimo, que me fizesse sentir tudo e nada ao mesmo tempo, mas que dissesse… Dissesse alguma coisa que acalmasse meu velho coração que espera pela a tua atenção, que ela não vem e não me quer. Ó cabelos vermelhos, passara por mim tão esvoaçante e silencioso que pude apenas escutar o meu coração palpitar frenético no sofrer dos teus efeitos devastadores e cruéis. Que tivesse piedade, lindos fios banhados de vermelhidão, que pudesse ver no teu olhar mudo o quanto o meu olhar solitário grita para esse silêncio acabar. Que pudesse ser capaz de sentir o que sinto, nem que fosse por um segundo, mas que sentisse como é se sentir fora de si, desabrigado e desgovernado, a procura de um refúgio feliz… E nada encontrar. Encontrar apenas olhos que te fitam e não dizem absolutamente nada. Nada. Nada. Nada. E não por timidez, talvez nem por maldade, e sim por… Por que, afinal? Por que não tem o que dizer quando eu tenho mil palavras a dar-te? E olha que eu nem sou falante, pouco me meto com letras, mas tenho tantos dizeres que me torno rico em palavras. Porém, se muito eu me permitir pensar, para quê as quero se não tenho a quem dá-las? Você passa e me olha assim, se nada diz nada então quer ouvir. Fico mudo, os lábios calados, mas os olhos gritantes… Olhos que distantes ficam dos teus, com teus passos urgentes e despreocupados, afastando-me de mim que me preocupo tanto. Tudo bem, tudo bem, algum dia hei de calar esses olhos asneiros, hei de fazê-los engolir cada palavra que agora eu digo e você finge que não ouve. Se for o silêncio que tu queres, não se preocupe, um dia hei de alimentá-la com esse nada, e a falta do tudo tu sentirás.

Por enquanto, saiba apenas que não fora nada justo moça dos cabelos vermelhos e dos olhos calados. Não foi não.

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